UE Tenta Convencer Países-Membros Reticentes a Aprovar Acordo Histórico com o Mercosul em Reunião Crucial de Ministros da Agricultura

Reunião Urgente em Bruxelas

A União Europeia convocou uma reunião de emergência com seus ministros da Agricultura nesta quarta-feira (6) em Bruxelas. O objetivo principal é persuadir a Itália, a França e outras nações membros com ressalvas a darem luz verde para um acordo de livre comércio com o Mercosul. A reunião ocorre em um momento crítico, com a possibilidade de assinatura do acordo já em 12 de janeiro.

Medo dos Agricultores Europeus

A resistência de países como Itália e França, que frustraram as esperanças de um acordo em dezembro, reside no receio de um influxo de commodities agrícolas mais baratas, como carne bovina e açúcar, provenientes dos países do Mercosul. Para acalmar essas preocupações, a Comissão Europeia planeja oferecer garantias sobre o futuro financiamento agrícola, incluindo um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros no próximo orçamento da UE. A proposta de fundir fundos regionais e da Política Agrícola Comum (PAC) também gerou alarme entre as nações mais dependentes da agricultura.

Garantias e Controles de Importação

Além das garantias financeiras, os ministros discutirão os rigorosos controles de importação, focando em aspectos como os níveis máximos permitidos de resíduos de pesticidas em produtos vindos do Mercosul. Diplomatas da UE indicam que a Comissão enviará uma carta aos membros detalhando o apoio à renda dos agricultores, em uma tentativa de obter o apoio necessário. O bloco precisa de uma maioria de 15 países que representem 65% da população da UE para autorizar a assinatura.

O Que Está em Jogo?

O acordo, negociado há 25 anos, é visto por defensores como Alemanha e Espanha como vital para impulsionar as exportações europeias, reduzir a dependência da China e garantir o acesso a minerais essenciais. A posição da Itália, em particular, é considerada um fator determinante, apesar de fontes italianas afirmarem que o país não se opõe ao acordo, mas busca garantias de reciprocidade e de que os produtos importados atendam aos padrões ambientais e de saúde da UE. Com a oposição de países como Polônia e Hungria, e a França se mostrando crítica, a reunião de quarta-feira será decisiva.

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