UE convoca ministros da Agricultura em ‘última hora’ para tentar selar acordo com Mercosul; Itália e França pressionam por garantias

Pressão por acordo histórico

A União Europeia convocou seus ministros da Agricultura para uma reunião de emergência nesta quarta-feira (6) em uma tentativa de última hora para garantir o apoio ao acordo de livre comércio com o Mercosul. A iniciativa surge após a resistência expressa pela Itália e pela França no mês passado, que frustraram as expectativas de um fechamento do acordo em dezembro. Os dois países expressaram preocupações com um possível influxo de commodities agrícolas mais baratas, como carne bovina e açúcar, provenientes dos países do bloco sul-americano.

Garantias e fundos em jogo

A reunião, convocada pela presidência cipriota da UE, contará com a presença de todos os 27 ministros da Agricultura do bloco. Espera-se que os comissários europeus de Agricultura, Comércio e Saúde apresentem garantias sobre o futuro financiamento dos agricultores europeus dentro da Política Agrícola Comum (PAC). Isso inclui a menção a um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros (aproximadamente US$ 7,4 bilhões) previsto para o próximo orçamento da UE. No entanto, a proposta da Comissão Europeia de fundir fundos de coesão regional com o dinheiro da PAC para o próximo orçamento de sete anos tem gerado apreensão entre as nações com forte setor agrícola.

Controles de importação e demandas dos agricultores

Além das questões financeiras, a discussão também abordará os controles de importação, incluindo os níveis máximos permitidos de resíduos de pesticidas nas mercadorias importadas. Um diplomata da UE descreveu o momento como “crítico para discutir as demandas dos agricultores”, indicando que a Comissão planeja enviar uma carta aos membros detalhando o apoio à renda agrícola. A Alemanha e a Espanha são alguns dos países que apoiam o acordo, buscando reunir a maioria qualificada de 15 membros (representando 65% da população do bloco) necessária para a autorização da assinatura, que poderia ocorrer já em 12 de janeiro.

Posição da Itália e próximos passos

Apesar das declarações de fontes italianas indicando que o país não se opõe ao acordo, há um forte desejo por garantias, especialmente no que diz respeito à reciprocidade e à conformidade dos produtos agrícolas importados com os padrões ambientais e de saúde da UE. A posição da Itália é considerada um fator determinante para o avanço do acordo, com uma votação prevista para sexta-feira. A Comissão Europeia confirmou que tem mantido discussões com os Estados-membros e que o bloco está no caminho certo para assinar o acordo em breve, embora um segundo diplomata da UE tenha ressaltado que a Itália ainda não deu seu acordo total.

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