Nova Proposta da Shell
A Raízen (RAIZ4) pode ter um novo caminho para reestruturar sua dívida, que atingiu R$ 55,3 bilhões no último trimestre. Segundo informações do jornal Valor Econômico, a Shell, coproprietária da companhia ao lado da Cosan (CSAN3), apresentou uma nova proposta que difere daquela feita anteriormente pela Cosan e fundos do BTG Pactual. A nova oferta da Shell prevê um aporte financeiro maior e descarta a divisão da Raízen em duas empresas distintas.
Detalhes da Proposta Anterior
A proposta inicial, apresentada pela Cosan e fundos do BTG, envolvia a conversão de 25% da dívida da Raízen em ações, além de uma cisão da empresa. A ideia era criar duas companhias listadas em bolsa: uma focada em açúcar e etanol, e outra, em operações de combustíveis. Neste cenário, o braço de commodities receberia aportes da Cosan (R$ 1 bilhão), de Rubens Ometto (R$ 500 milhões) e da Shell (R$ 1,5 bilhão). O BTG Pactual contribuiria com cerca de R$ 5,3 bilhões através de fundos de private equity.
A Oferta da Shell: Mais Capital, Menos Complexidade
Em contrapartida, a Shell estaria disposta a injetar um montante mais expressivo de capital para apresentar uma solução mais direta, sem a necessidade de dividir a Raízen. De acordo com a apuração do Valor Econômico, a petrolífera propõe uma capitalização de R$ 5 bilhões, com R$ 3,5 bilhões vindos da própria Shell e os R$ 1,5 bilhão restantes da Cosan. Futuramente, os sócios poderiam injetar ainda mais capital e realizar um follow-on para captar recursos adicionais no mercado.
Contexto Financeiro da Raízen
A Raízen tem enfrentado dificuldades financeiras, evidenciadas por sérios rebaixamentos em suas classificações de risco por agências de rating. Isso levou a companhia a registrar um impairment de R$ 11 bilhões e um prejuízo de R$ 15,65 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/2026. Embora a venda de ativos, incluindo operações na Argentina, já tenha levantado R$ 5 bilhões nos últimos 12 meses e deva gerar mais R$ 5 bilhões até o fim do ano, a gestão reconhece que essas medidas isoladas não serão suficientes para sanar o desequilíbrio financeiro. O objetivo da companhia é atingir um nível de alavancagem entre 2 e 2,5 vezes ao final do processo de reestruturação, o que exigiria cerca de R$ 20 a R$ 25 bilhões, segundo estimativas do UBS BB. A prioridade, segundo o CEO Nelson Gomes, é reduzir o endividamento, com os controladores comprometidos em injetar capital para tal.