UE convoca ministros da Agricultura em urgência para selar acordo com Mercosul; Itália e França cobram garantias

Bruxelas busca consenso para acordo histórico com bloco sul-americano.

A União Europeia convocou seus ministros da Agricultura para uma reunião extraordinária nesta quarta-feira (6) em uma tentativa de última hora para obter o apoio necessário à assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul. A Itália e a França, que expressaram ceticismo no mês passado, lideram um grupo de países preocupados com a potencial entrada de produtos agrícolas mais baratos, como carne bovina e açúcar, que poderiam prejudicar os produtores europeus.

Garantias financeiras e sanitárias em pauta.

A Comissão Europeia planeja apresentar garantias aos ministros, incluindo detalhes sobre o financiamento futuro da Política Agrícola Comum (PAC), como um fundo de crise de € 6,3 bilhões (US$ 7,4 bilhões) previsto para o próximo orçamento da UE. O temor de que a fusão de fundos regionais e da PAC possa afetar as nações agrícolas também será abordado. Além disso, controles de importação, como limites máximos para resíduos de pesticidas, estão na agenda, conforme indicaram diplomatas da UE.

Momento crítico para o futuro do acordo.

Um diplomata da UE descreveu o momento como “crítico para discutir as demandas dos agricultores”, adiantando que a Comissão deve enviar uma carta aos membros detalhando o apoio à renda agrícola. A meta é reunir a maioria qualificada de 15 países membros, representando 65% da população da UE, para autorizar a assinatura do acordo, que poderia ocorrer já em 12 de janeiro. O acordo, negociado por 25 anos, é visto como vital para impulsionar exportações e reduzir a dependência da China.

Posição da Itália é decisiva.

Apesar da oposição de países como Polônia e Hungria, e da França se mostrar crítica, a posição da Itália é considerada um fator determinante. Fontes italianas afirmam que o país não se opõe ao acordo em si, mas exige garantias claras, especialmente sobre a reciprocidade nas normas ambientais e de saúde. A expectativa é de uma votação nesta sexta-feira, e a Comissão Europeia indica que o bloco está avançando para a assinatura em breve, após semanas de discussões com os Estados-membros.

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