UE convoca ministros da Agricultura em última hora para tentar salvar acordo com Mercosul após objeções da Itália

Pressão europeia aumenta para acordo com Mercosul

A União Europeia convocou os ministros da Agricultura do bloco para uma reunião de urgência nesta quarta-feira (6) em uma tentativa de última hora para obter o apoio necessário à assinatura de um acordo de livre comércio com o Mercosul. A iniciativa surge após a Itália e a França terem expressado ressalvas no mês passado, levantando preocupações sobre o impacto de importações agrícolas mais baratas, como carne bovina e açúcar, nos produtores europeus.

Garantias e financiamento em pauta

Os ministros de Agricultura de todos os 27 países membros da UE foram convidados para a discussão na Comissão Europeia, embora a presença de todos ainda não esteja confirmada. Espera-se que os comissários europeus de Agricultura, Comércio e Saúde apresentem garantias sobre o futuro financiamento dos agricultores dentro da Política Agrícola Comum (PAC) da UE. Isso inclui a menção a um fundo de crise de 6,3 bilhões de euros (US$7,4 bilhões) previsto no próximo orçamento do bloco. A proposta da Comissão de integrar fundos de coesão regional com o dinheiro da PAC no próximo orçamento de sete anos gerou apreensão entre as nações com forte setor agrícola.

Controles de importação e exigências dos agricultores

Além das questões financeiras, os controles de importação, incluindo os limites máximos permitidos para resíduos de pesticidas, também serão temas centrais da reunião. Diplomatas da UE indicaram que a Comissão deve enviar uma carta aos membros definindo o apoio à renda dos agricultores, em um esforço para atender às demandas do setor. A União Europeia, com o apoio de países como Alemanha e Espanha, busca obter o apoio de uma maioria qualificada de 15 membros, representando 65% da população do bloco, para autorizar a assinatura do acordo, que pode ocorrer já em 12 de janeiro.

Acordo histórico e posição da Itália

Defensores do acordo, negociado há 25 anos, argumentam que ele é fundamental para impulsionar exportações europeias, afetadas pelas tarifas dos EUA, e para reduzir a dependência da China, garantindo acesso a minerais essenciais. Com a oposição de países como Polônia e Hungria, e a França se mostrando crítica, a posição da Itália é vista como crucial para a aprovação. Fontes italianas afirmam que o país não se opõe ao acordo em si, mas busca garantias de reciprocidade, especialmente quanto aos padrões ambientais e de saúde dos produtos importados. Uma votação sobre o acordo está prevista para sexta-feira, e a reunião desta quarta-feira é considerada um momento decisivo para o futuro das negociações.

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