O telescópio espacial Hubble em órbita, com a curva da Terra e o deserto abaixo

Telescópio Hubble: o que é, o que registra e se ainda funciona

Atualizado em 2 de novembro de 2026.

O telescópio espacial Hubble ainda funciona, e a NASA o lista como missão ativa. Ele foi lançado em 24 de abril de 1990, a bordo do ônibus espacial Discovery, e já passa de 36 anos em órbita. Tem um espelho de 2,4 metros, e a NASA conta mais de 1,7 milhão de observações feitas por ele. É um veterano que continua trabalhando.

O Hubble ainda funciona?

Funciona, mas de um jeito diferente. Em 24 de maio de 2024, um dos três giroscópios do telescópio começou a mandar leituras erradas, e o Hubble entrou em modo de segurança. Os giroscópios é que ajudam o telescópio a apontar para o alvo certo.

A equipe da NASA mudou o método de trabalho, e desde 14 de junho de 2024 o Hubble observa com um giroscópio só, com outro guardado de reserva. Segundo a NASA, o telescópio ainda faz a maior parte da ciência planejada, com algumas limitações pequenas. Os instrumentos estão estáveis.

O que o Hubble registra

O Hubble vê três tipos de luz: o ultravioleta, a luz visível e o infravermelho próximo, numa faixa de 115 a 2.500 nanômetros. Como está acima da atmosfera, a imagem não sofre a distorção do ar. Por isso sai tão nítida. A diferença é grande.

Quatro instrumentos fazem a maior parte do trabalho. A Wide Field Camera 3 e a Advanced Camera for Surveys tiram as fotos. O Cosmic Origins Spectrograph e o Space Telescope Imaging Spectrograph separam a luz para estudar a composição dos objetos. Um quinto instrumento, o Fine Guidance Sensor, ajuda na pontaria. O NICMOS está desligado.

Onde o Hubble está agora

Ele gira em órbita baixa da Terra, a cerca de 483 quilômetros de altura, segundo a NASA, numa trajetória inclinada 28,5 graus em relação ao equador. Cada volta leva uns 95 minutos, numa velocidade de 27 mil quilômetros por hora. A altitude cai devagar por causa do atrito com o resto de atmosfera que existe lá em cima.

Tamanho e ficha técnica

O telescópio tem o tamanho de um ônibus grande. Pesava cerca de 10,8 toneladas no lançamento e passou a 12,2 toneladas depois da última missão de reparo.

ItemValor (segundo a NASA)
Comprimento13,2 metros
Diâmetro maior4,3 metros
Espelho principal2,4 metros, 828 quilos
Altitudecerca de 483 quilômetros
Volta na Terracerca de 95 minutos
Faixa de luz115 a 2.500 nanômetros

O espelho com defeito

Logo depois do lançamento, os astrônomos descobriram um problema sério. O espelho principal tinha sido lixado no formato errado. O erro causava uma distorção chamada aberração esférica, e as imagens saíam borradas.

A solução demorou muito. A correção veio em dezembro de 1993, na primeira missão de reparo, a STS-61. Os astronautas instalaram um sistema óptico que devolveu ao telescópio a qualidade planejada, numa operação feita no espaço. Deu certo mesmo.

As cinco missões de reparo

Foram cinco visitas. Ônibus espaciais chegaram ao telescópio ao longo de quase 16 anos, a primeira em dezembro de 1993 e a última em maio de 2009. Em cada visita, astronautas trocaram peças e instalaram instrumentos novos. O programa dos ônibus acabou em 2011, e desde então ninguém mais fez esse tipo de serviço.

O que o Hubble descobriu

A NASA conta mais de 23 mil artigos científicos baseados nos dados dele. A lista é longa. Alguns marcos aparecem no site da agência, e vale conhecer os principais.

O Hubble fez as primeiras imagens diretas de discos de poeira ao redor de estrelas jovens, onde os planetas nascem. Foi o primeiro a medir a atmosfera de um planeta fora do Sistema Solar, e achou sódio nela. Ajudou a mostrar que a expansão do universo está acelerando, algo atribuído à energia escura. Fez a primeira imagem direta da superfície de uma estrela além do Sol, a supergigante vermelha Betelgeuse. E observou a galáxia GN-z11, cuja luz levou 13,4 bilhões de anos para chegar até nós.

Uma das imagens mais famosas é a dos Pilares da Criação, uma região de nascimento de estrelas.

O que o Hubble já fotografou

A imagem mais famosa de longe é a dos Pilares da Criação. Mas há outra que mudou a forma de ver o universo, o Campo Ultra-Profundo. A NASA apontou o telescópio para um pedaço minúsculo do céu, aparentemente vazio, e deixou a câmera trabalhando por semanas.

O resultado reúne 800 exposições, feitas ao longo de 400 órbitas, entre 24 de setembro de 2003 e 16 de janeiro de 2004. Ao todo foram 11,3 dias de exposição, com a câmera Advanced Camera for Surveys. A NASA estima cerca de 10 mil galáxias nessa única foto. A análise da NASA de 2004 apontou 108 galáxias muito distantes, pequenas e avermelhadas, como candidatas a estarem entre as mais antigas.

O Hubble é o maior telescópio do mundo?

Não. O espelho de 2,4 metros é bem menor que os 6,5 metros do James Webb, e alguns telescópios em terra também têm espelhos maiores. O Hubble ganha em outra coisa. Ele fica acima da atmosfera, e isso dá uma nitidez que o chão não alcança.

Os dois também não competem entre si. O Hubble enxerga ultravioleta e luz visível, enquanto o Webb observa infravermelho e fica a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra.

Custo e futuro

Até a hora do lançamento, haviam sido gastos cerca de 4,7 bilhões de dólares, em valores de 2010 corrigidos pela inflação. A estimativa de custo acumulado, sem contar a operação, é de 11,3 bilhões de dólares em valores de 2015. É a missão científica mais cara da história da NASA.

Dá para salvar o Hubble?

O Hubble não tem propulsão própria para manter a órbita. Ele desce aos poucos. A análise da NASA indica que ele deve reentrar na atmosfera entre 2033 e 2034, e uma missão de salvamento precisaria acontecer até 2032.

Em 29 de outubro de 2026, a NASA abriu um pedido de informações a empresas. Ele trata de três caminhos: elevar o telescópio a uma órbita mais alta, fazer manutenção para ampliar as capacidades dele ou planejar uma reentrada controlada no fim da vida. As respostas vão até 30 de novembro. Ainda não há decisão. Em dezembro de 2022, a agência já tinha estudado com a SpaceX um reforço de órbita com a cápsula Dragon, sem verba. Na época, disse que não havia plano de financiar uma missão de manutenção.

Perguntas frequentes

O Hubble ainda está ativo?

Sim, a NASA o lista como missão ativa. Desde junho de 2024 ele opera com um giroscópio, e o outro fica de reserva.

Quando o Hubble foi lançado?

Em 24 de abril de 1990. Foi a bordo do ônibus espacial Discovery, durante a missão STS-31.

A que altura o Hubble orbita?

A cerca de 483 quilômetros da superfície, segundo a NASA, e uma volta na Terra leva uns 95 minutos.

O que o Hubble registra?

Três tipos de luz. Ultravioleta, luz visível e infravermelho próximo, de 115 a 2.500 nanômetros. Ele fotografa galáxias, nebulosas e planetas, e também estuda a luz para saber do que os objetos são feitos.

Por que o Hubble precisou de reparo?

O espelho principal foi feito com o formato errado, o que causava aberração esférica nas imagens, e a correção foi feita em 1993.

Quantas missões de reparo o Hubble teve?

Foram cinco. A primeira em dezembro de 1993 e a última em maio de 2009, todas feitas por astronautas de ônibus espaciais.

Quanto tempo o Hubble ainda vai durar?

A NASA indica reentrada provável entre 2033 e 2034, se nada for feito. Uma missão para elevar a órbita é avaliada, mas não tem decisão.

Por que o Hubble é tão importante?

Porque ele fica acima da atmosfera e vê o universo com nitidez. A NASA cita descobertas como a medida da atmosfera de um planeta fora do Sistema Solar e as pistas de que a expansão do universo está acelerando.

Leia também: NASA: o que é, como surgiu e quais são os programas atuais e Telescópio James Webb: o que é, onde fica e como funciona.

Fontes: Hubble facts, NASA; NASA Explores Potential Commercial Servicing for Hubble Telescope, NASA; Hubble Ultra Deep Field, NASA; NASA’s Hubble Returns to Science Operations, NASA; Hubble science, NASA; Hubble Space Telescope, Wikipédia em inglês.

Imagem de destaque: Image: NASA, domínio público, via Wikimedia Commons.

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