Calculadora de salário líquido: quanto cai na conta com INSS e IR
Atualizado em 7 de novembro de 2026.
O salário líquido é o bruto menos o INSS, o imposto de renda e os outros descontos da folha. Até R$ 5.000 não há imposto de renda na fonte em 2026. O INSS cobra de 7,5% a 14% por faixa, com teto de R$ 988,09 por mês. A calculadora abaixo faz a conta com dependentes, pensão alimentícia e vale-transporte, e mostra cada desconto.

Como o salário líquido é calculado
A conta começa no salário bruto do contracheque. Dele saem, nesta ordem, o INSS, o imposto de renda retido na fonte e os descontos combinados, como vale-transporte, pensão e plano de saúde.
- INSS: calculado por faixa, sem desconto em cima do que já foi tributado na faixa anterior.
- Imposto de renda: aplicado sobre a base de cálculo, que é o bruto menos o INSS, os dependentes, a pensão alimentícia ou o desconto simplificado, o que for maior.
- Redução da Lei 15.270: abate o imposto de quem ganha até R$ 7.350 por mês.
- Outros descontos: vale-transporte, pensão alimentícia e o que a empresa e você tiverem combinado.
Tabela do INSS em 2026
O desconto para o INSS é progressivo. Cada faixa paga a sua alíquota só sobre o trecho que cabe nela, e o total tem teto de R$ 988,09 para quem ganha R$ 8.475,55 ou mais.
| Faixa do salário | Alíquota |
|---|---|
| Até R$ 1.621,00 | 7,5% |
| De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84 | 9% |
| De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27 | 12% |
| De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55 | 14% |
Imposto de renda: a isenção até R$ 5.000
A tabela mensal da Receita isenta quem ganha até R$ 2.428,80 de base de cálculo. Depois vêm alíquotas de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%. A Lei 15.270, de 2025, criou uma redução que zera o imposto para quem tem rendimento de até R$ 5.000 por mês e diminui até desaparecer em R$ 7.350.
A base de cálculo usa a dedução mais vantajosa entre as legais e o desconto simplificado de R$ 607,20. As legais somam o INSS, R$ 189,59 por dependente e a pensão alimentícia. A redução, porém, é calculada sobre o rendimento bruto, e não sobre a base.
Quanto sobra em cada faixa de salário
A tabela mostra o resultado sem dependentes, pensão ou vale-transporte, calculado com as regras acima.
| Salário bruto | INSS | IRRF | Líquido |
|---|---|---|---|
| R$ 1.621,00 | R$ 121,58 | R$ 0,00 | R$ 1.499,42 |
| R$ 3.000,00 | R$ 248,60 | R$ 0,00 | R$ 2.751,40 |
| R$ 5.000,00 | R$ 501,51 | R$ 0,00 | R$ 4.498,49 |
| R$ 6.500,00 | R$ 711,51 | R$ 569,92 | R$ 5.218,57 |
| R$ 7.350,00 | R$ 830,51 | R$ 884,13 | R$ 5.635,36 |
| R$ 10.000,00 | R$ 988,09 | R$ 1.569,55 | R$ 7.442,36 |
O salto mais visível acontece acima de R$ 5.000. Quem passa dessa linha começa a pagar imposto, e a redução some devagar até R$ 7.350. A partir daí vale a tabela cheia da Receita.
A conta passo a passo com R$ 6.500
Acompanhar um caso inteiro ajuda a conferir o contracheque. Tome um salário de R$ 6.500, sem dependentes.
1. INSS: as quatro faixas somam R$ 711,51. A primeira cobra 7,5% sobre R$ 1.621. A segunda cobra 9% sobre o trecho até R$ 2.902,84. A terceira cobra 12% até R$ 4.354,27. A última cobra 14% sobre o que sobra, até os R$ 6.500. 2. Base do imposto: o INSS de R$ 711,51 é maior que o desconto simplificado de R$ 607,20, então a base é R$ 6.500 menos R$ 711,51, ou R$ 5.788,49. 3. Tabela da Receita: sobre a base vale a alíquota de 27,5%, menos a parcela a deduzir de R$ 908,73. O imposto pela tabela fica em R$ 683,10. 4. Redução da Lei 15.270: para quem ganha entre R$ 5.000 e R$ 7.350, o abatimento é R$ 978,62 menos 13,3145% do rendimento bruto, o que dá R$ 113,18. 5. Imposto na fonte: R$ 683,10 menos R$ 113,18 resulta em R$ 569,92. 6. Líquido: R$ 6.500 menos R$ 711,51 e menos R$ 569,92 deixa R$ 5.218,57. Os descontos pesam 19,71% do bruto.
Esse mesmo exemplo aparece em calculadoras de mercado, com os mesmos valores, e serviu de conferência para esta ferramenta.
O que muda o resultado
Dependentes reduzem o imposto. Cada um abate R$ 189,59 da base de cálculo. Com salário de R$ 6.500 e dois dependentes, o imposto de renda cai de R$ 569,92 para R$ 465,65, e o líquido sobe para R$ 5.322,84.
A pensão alimentícia também reduz a base. Com os mesmos R$ 6.500 e R$ 800 de pensão, o imposto fica em R$ 349,92. O líquido, já sem os R$ 800 pagos, é de R$ 4.638,57.
O vale-transporte pode ser descontado em até 6% do salário básico, segundo a Lei 7.418, de 1985. Em R$ 3.000, são R$ 180. Se o vale custar menos que isso, a empresa desconta só o custo.
O que a calculadora não faz
Ela dá uma estimativa, e o contracheque é o documento que vale. Alguns itens ficam de fora.
- Horas extras, adicional noturno, insalubridade e comissões do mês.
- Plano de saúde e vale-refeição com participação, a não ser que você os digite em “outros descontos”.
- Empréstimo consignado e contribuição sindical.
- Salário de quem tem mais de um vínculo, que soma o INSS entre as empresas.
Para as verbas de férias, veja a calculadora de férias. Para o fim do ano, use a calculadora de 13º salário.
Por que o seu contracheque pode diferir
Se a diferença for de poucos centavos, a causa costuma ser o arredondamento: cada sistema de folha arredonda em um momento diferente da conta. Se for de dezenas de reais, vale olhar três pontos.
- A base do INSS inclui horas extras e adicionais, que a calculadora só considera se você somá-los ao salário digitado.
- O número de dependentes cadastrado na empresa pode ser outro, e isso muda a base do imposto.
- Mensalidade de plano ou convênio aparece na folha, mas a ferramenta só a considera se você a digitar em “outros descontos”.
Em caso de dúvida, o setor de pessoal da empresa tem a memória de cálculo do mês e pode explicar linha por linha.
Confusões comuns
Muita gente acha que o INSS é uma alíquota única sobre o salário inteiro. Ele é progressivo, e por isso quem ganha R$ 3.000 paga R$ 248,60, e não 12% de R$ 3.000.
Outra confusão é pensar que passar de R$ 5.000 faz o salário líquido cair. Não cai. Cada real a mais continua aumentando o que sobra, só que uma parte maior vai para o imposto.
Como usar o resultado
O número final serve para três decisões comuns. Primeiro, montar o orçamento do mês com o valor que realmente cai na conta, e não com o bruto da carta de oferta. Segundo, comparar propostas de emprego: uma vaga de R$ 7.000 não paga R$ 1.000 a mais que uma de R$ 6.000 no bolso, porque o imposto morde parte da diferença. Terceiro, negociar aumento sabendo quanto dele chega até você.
Para comparar duas propostas, rode a calculadora duas vezes, com os mesmos dependentes e o mesmo vale-transporte. Anote o líquido de cada uma. A diferença entre os dois números é o ganho real.
Quem recebe de mais de um empregador deve somar os salários antes de ter uma ideia do INSS total, porque o teto vale para o conjunto das contribuições.
A regra para guardar
Até R$ 5.000 de salário bruto, o imposto de renda na fonte é zero em 2026, e o INSS leva de 7,5% a 14% por faixa. Acima de R$ 7.350, o imposto segue a tabela cheia, e o desconto do INSS para em R$ 988,09. Confira sempre o contracheque.
Perguntas rápidas
Quanto fica de líquido de um salário de R$ 3.000?
R$ 2.751,40, sem dependentes e sem outros descontos. O INSS é de R$ 248,60, e não há imposto de renda.
Quem ganha R$ 5.000 paga imposto de renda?
Não na fonte. A redução da Lei 15.270 zera o imposto de quem tem rendimento mensal de até R$ 5.000.
Qual é o desconto máximo do INSS em 2026?
R$ 988,09 por mês, para quem ganha R$ 8.475,55 ou mais.
O vale-transporte pode ser descontado acima de 6%?
Não. O desconto é de até 6% do salário básico, e a empresa paga o que passar disso (Lei 7.418, artigo 4º).
Para o fim de um contrato de trabalho, veja a calculadora de rescisão.
Fontes: Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026 (INSS); Receita Federal, tabelas de 2026; Lei 15.270/2025 (imposto de renda); Lei 7.418/1985, art. 4º (vale-transporte). Conferência independente: exemplo de salário de R$ 6.500 publicado por calculadoras de mercado, com os mesmos valores de INSS e imposto. Resultado informativo, não substitui o contracheque nem orientação jurídica.
Imagem de destaque e ilustração do texto: geradas por IA (Google Flow) para o Mundo Hoje.