UE Cede em Impostos de Fertilizantes para Avançar Acordo Histórico com Mercosul: França e Itália Pressionam por Mais Salvaguardas

Bruxelas Tenta Costurar Apoio Interno

A Comissão Europeia anunciou nesta quarta-feira (7) uma série de concessões estratégicas, incluindo a potencial redução de impostos sobre a importação de fertilizantes e o apoio a isenções temporárias para a taxa de carbono nas fronteiras da União Europeia. A medida visa angariar o apoio necessário entre os 15 estados-membros para a ratificação do acordo de livre comércio com o Mercosul, um pacto que se arrasta há 25 anos e é visto como crucial para a economia europeia.

Detalhes das Concessões e Preocupações Agrícolas

O comissário europeu de comércio, Maros Sefcovic, detalhou que a UE pretende eliminar as taxas de importação de 6,5% sobre a ureia e 5,5% sobre a amônia. Além disso, a Comissão buscará aprovação parlamentar para uma lei que permita suspensões temporárias da Tarifa de Ajuste de Carbono nas Fronteiras (CBAM), mecanismo que taxam emissões de CO2 em produtos importados. Essa flexibilização atende a pedidos de países como França e Itália, que temem o impacto da taxa sobre a competitividade dos fertilizantes importados e argumentam que o Mercosul deveria ser excluído de sua incidência inicial.

O Que Está em Jogo no Acordo com o Mercosul

Os defensores do acordo com o Mercosul destacam seu potencial para impulsionar as exportações europeias, que têm sofrido com impostos de importação de outros blocos, como os Estados Unidos. Além disso, o pacto é visto como uma forma de reduzir a dependência da China e garantir o acesso a minerais essenciais para a transição energética. A Comissão Europeia também tem buscado tranquilizar os ministros sobre o financiamento aos agricultores e a revisão dos controles de importação, como os limites de resíduos de pesticidas.

Oposição Persiste e Negociações Continuam

Apesar das concessões, a França e a Itália, maiores produtores agrícolas da UE, ainda expressam reservas, preocupadas com um possível influxo de commodities baratas do Mercosul, como carne bovina e açúcar. A Itália parece ter se aproximado de um acordo após a proposta de um pacote de apoio de 45 bilhões de euros para agricultores. No entanto, Polônia e Hungria mantêm sua oposição, e a França continua sendo uma crítica ferrenha. A Irlanda, por sua vez, sinalizou uma possível abertura, mas condicionada a salvaguardas robustas contra o aumento de importações.

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