Exportação de Soja do Brasil para a China Deve Cair 11% em 2026 com Retomada dos EUA, Prevé Anec

Redução esperada devido à volta da competitividade americana

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) estima uma redução de aproximadamente 10 milhões de toneladas na exportação de soja brasileira para a China em 2026, comparado ao volume de 2025. A principal razão apontada é a retomada da concorrência dos Estados Unidos no mercado chinês, que no ano anterior foi impactado por disputas tarifárias.

Segundo Sérgio Mendes, diretor-geral da Anec, a projeção para 2026 é de embarques de 77 milhões de toneladas da oleaginosa nacional para a China. Em 2025, o volume atingiu um patamar histórico de 87 milhões de toneladas, beneficiado pela trégua comercial entre Pequim e Washington.

Cenário atípico de 2025 e a nova realidade de 2026

Mendes explicou que 2025 foi um ano atípico devido às tarifas impostas pelos EUA, o que levou a uma reorganização da demanda global. Com o restabelecimento do fornecimento americano, o Brasil deve manter um volume de exportação próximo ao observado nas últimas temporadas, com pelo menos 70% desse total direcionado à China, o que representa os 77 milhões de toneladas projetados.

“Vale reforçar que 2025 configurou-se como um ano atípico, em função da imposição de tarifas pelos Estados Unidos e da consequente reorganização da demanda global. Esse cenário permanece como um ponto de atenção, uma vez que as tensões geopolíticas seguem em curso”, afirmou Mendes.

Safra recorde e diversificação de mercados

Apesar da queda esperada nas exportações para a China, a Anec projeta um recorde total nas exportações de soja brasileira em 2026, atingindo 112 milhões de toneladas. Este número supera o recorde preliminar de 109 milhões de toneladas registrado em 2025.

A maior disponibilidade de soja no Brasil, aliada à competitividade e qualidade do produto, deve ajudar o país a manter sua participação no mercado chinês frente a outros fornecedores. A colheita de 2026 no Brasil está indicando um novo recorde, com a safra estimada em torno de 177 milhões de toneladas. A Anec também prevê um crescimento nas exportações de farelo de soja e milho, com embarques de 24 milhões de toneladas e 44 milhões de toneladas, respectivamente, em 2026.

Ampliando horizontes além da China

A expansão das vendas totais de soja brasileira, mesmo com o recuo para a China, deve-se ao aumento das exportações para outros mercados importantes na Ásia e Europa. Destacam-se destinos como Espanha, Tailândia, Turquia, Irã, Paquistão, Vietnã, Taiwan e Holanda, entre outros, conforme apontou Mendes.

As exportações de soja em 2025 ficaram ligeiramente abaixo da projeção de 110 milhões de toneladas devido a chuvas que prejudicaram os embarques em dezembro, mas o volume não exportado deve ser compensado em janeiro.

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