Minerva (BEEF3): BTG Pactual reduz preço-alvo para R$ 7 e alerta sobre desalavancagem lenta
BTG Pactual ajusta projeções para Minerva Foods
O BTG Pactual revisou suas estimativas para a Minerva Foods (BEEF3), cortando o preço-alvo da ação de R$ 8,50 para R$ 7,00. A recomendação permanece neutra, influenciada por uma perspectiva de desalavancagem mais lenta e pressões sobre a geração de caixa da companhia.
Desafios na desalavancagem e estrutura financeira
Apesar de iniciativas como o pagamento mínimo de dividendos e a redução no interesse por aquisições pós-transação com a Marfrig, o banco aponta que fatores como a menor oferta de gado no Brasil e margens sob pressão devem desacelerar a desalavancagem em 2026. Analistas do BTG destacam que, embora os resultados operacionais de 2025 tenham sido sólidos, a estrutura financeira da Minerva ainda gera preocupações. O elevado nível de caixa, embora necessário para a operação, implica um custo implícito de dívida líquida de cerca de 17%, superando o rendimento do próprio caixa.
Baixa conversão de Ebitda em caixa e riscos no capital de giro
Outro ponto de atenção é a baixa conversão do Ebitda em fluxo de caixa. Em 2025, a Minerva registrou R$ 3,8 bilhões em Ebit, mas despesas financeiras totais, incluindo hedge de commodities, impostos e comissões, totalizaram R$ 3,1 bilhões, resultando em um fluxo de caixa livre antes de impostos de aproximadamente R$ 700 milhões. O BTG também sinaliza riscos relacionados ao capital de giro, com a empresa dependendo de cerca de R$ 10 bilhões em linhas de financiamento. Caso não haja crescimento de volumes ou a rolagem dessas operações, o caixa pode ser pressionado.
Otimização de capital de giro e necessidade de redução da alavancagem
A estratégia de otimização do capital de giro, que historicamente beneficiou a companhia, pode estar impactando as margens, com o ciclo de conversão de caixa se tornando mais negativo e a margem Ebitda apresentando leve deterioração para 8,8% em 2025. O BTG enfatiza a necessidade de redução da alavancagem, estimando que cada queda de 1 vez na relação dívida líquida/Ebitda poderia reduzir despesas financeiras em cerca de R$ 850 milhões anuais, um benefício mais significativo para o acionista do que a distribuição de dividendos no curto prazo. O banco projeta um fluxo de caixa ao acionista de R$ 407 milhões para 2026, com um yield de aproximadamente 9%, antes de eventuais necessidades de capital de giro, reforçando uma postura mais conservadora com o papel.