Pilares da Criação: o que são e onde fica essa nebulosa
Atualizado em 2 de novembro de 2026.
Os Pilares da Criação são colunas de gás e poeira dentro da Nebulosa da Águia, na constelação da Serpente, uma região onde nascem estrelas. Ficam a cerca de 6.500 anos-luz da Terra, segundo a NASA. A imagem mais famosa deles foi feita pelo telescópio espacial Hubble em 1995. Virou uma das mais conhecidas do telescópio, e a NASA voltou à região em 2014 com uma câmera mais nova.

O que são os Pilares da Criação
São três colunas escuras de gás e poeira, que parecem dedos apontando para cima. Dentro delas, o material se junta aos poucos e forma estrelas novas. Por isso o nome.
A nebulosa em volta se chama Nebulosa da Águia, ou M16. Os pilares são só um pedaço pequeno dela. Quem acende a cena são estrelas jovens e muito pesadas, que ficam fora da imagem, acima das colunas.
Como o gás evapora
A luz dessas estrelas não só ilumina os pilares. Ela também os desmancha. A radiação esquenta o gás da superfície, e ele evapora aos poucos. Na foto de 2014 dá para ver filetes de gás saindo das colunas, como fumaça.
Existe um detalhe curioso, descrito pela NASA. As partes mais densas funcionam como escudo e protegem o material que fica logo abaixo delas da mesma radiação.
Os Pilares ainda existem?
Essa é uma das perguntas mais buscadas. A resposta é incerta. Em 2007, a NASA e a ESA apresentaram uma hipótese. Imagens do telescópio Spitzer mostraram poeira quente perto das colunas, e os astrônomos acham que uma estrela pesada pode ter explodido ali como supernova. A onda de choque teria derrubado os pilares há uns 6 mil anos.
É só uma hipótese, e não um fato confirmado. A luz da região leva de 6.500 a 7 mil anos para chegar até nós, conforme a fonte. Se a explosão aconteceu mesmo, só veríamos o resultado daqui a uns mil anos, segundo a NASA. Por isso o que o Hubble e o Webb registraram é a região como ela era há milênios.
O que as cores mostram
A imagem do Hubble de 2014 é em luz visível, mas as cores não são as que um olho humano veria de perto. Cada cor representa um gás, de acordo com a NASA. O oxigênio aparece em azul, o enxofre em laranja, e o hidrogênio e o nitrogênio em verde.
Por isso a foto serve como um mapa da composição, e não só como um retrato bonito. Esse tipo de colorização é comum na astronomia, e ajuda a separar regiões que, em preto e branco, pareceriam iguais.
O tamanho dos pilares, em contas
Na imagem de 2014, os pilares aparecem com cerca de 5 anos-luz de altura, de acordo com a NASA. Um ano-luz é o quanto a luz percorre em um ano, algo perto de 9,5 trilhões de quilômetros.
Fizemos a conta. Cinco anos-luz dão uns 47 trilhões de quilômetros. A distância média entre o Sol e Netuno é de cerca de 4,5 bilhões de quilômetros, e a altura da coluna comporta essa distância mais de 10 mil vezes. É um tamanho difícil de imaginar.
Na foto de 1995, a maior das três colunas tinha por volta de 4 anos-luz.
As fotos do Hubble
O Hubble voltou à região em 2014. A primeira imagem é de 1995, feita com a câmera Wide Field and Planetary Camera 2, que depois foi substituída por um modelo mais novo numa das missões de reparo. A segunda usa a Wide Field Camera 3, mais nítida. A NASA divulgou essa versão em 5 de janeiro de 2015, para comemorar os 25 anos do telescópio.
A nova foto mostra mais detalhes, e a NASA a descreve como uma visão mais ampla. Os dados vieram de várias exposições combinadas. Quem quiser entender como o telescópio funciona, o que ele registra e se ainda está ativo pode ler o texto sobre o Telescópio Hubble.
E o James Webb?
O James Webb também fotografou os pilares, só que em infravermelho próximo. A imagem foi divulgada em 19 de outubro de 2022. Essa luz atravessa melhor a poeira, e por isso o Webb mostra estrelas jovens que ficam escondidas na imagem do Hubble, onde a poeira bloqueia a luz visível.
As duas fotos se completam. Uma mostra a silhueta das colunas, e a outra revela o que está atrás delas.
| Item | Hubble | James Webb |
|---|---|---|
| Imagens | 1995, e de novo em 2014 | 19 de outubro de 2022 |
| Tipo de luz | Visível | Infravermelho próximo |
| Câmera da versão mais recente | Wide Field Camera 3 | NIRCam |
| O que mostra melhor | A forma e a silhueta das colunas | Estrelas jovens dentro e atrás da poeira |
Há galáxias atrás dos pilares?
Parece, mas não. Na imagem do Webb, a luz infravermelha dá a impressão de que enxergamos muito além das colunas. Os astrônomos do Webb avisam que não há galáxias nessa vista.
As estrelas jovens que aparecem na foto têm só algumas centenas de milhares de anos, segundo a imagem divulgada pelo Webb. Para os padrões de uma estrela, isso é muito pouco.
Por que a luz é tão antiga
A distância muda a forma como olhamos a imagem. A luz de um objeto a 6.500 anos-luz leva 6.500 anos para chegar até nós. É muito tempo. O que o Hubble registrou em 1995 e em 2014 é a região como ela era há milhares de anos, antes mesmo de existir a escrita.
Outra conta ajuda a dar a noção de escala. Um objeto na velocidade do Hubble em órbita, uns 27 mil quilômetros por hora, levaria por volta de 260 milhões de anos para cobrir 6.500 anos-luz. A luz faz o mesmo caminho em 6.500 anos.
Perguntas frequentes
O que são os Pilares da Criação?
São colunas de gás e poeira na Nebulosa da Águia, em uma região de formação de estrelas.
Por que se chamam Pilares da Criação?
Porque são colunas onde o material se junta. Dali saem estrelas novas.
Onde ficam os Pilares da Criação?
Na Nebulosa da Águia, a cerca de 6.500 anos-luz da Terra, segundo a NASA.
Quem fotografou os Pilares da Criação?
O telescópio espacial Hubble, em 1995 e de novo em 2014. O James Webb também fez uma imagem, em infravermelho, divulgada em 2022.
Qual é o tamanho dos Pilares da Criação?
Cerca de 5 anos-luz de altura na imagem de 2014, segundo a NASA.
O que significam as cores da foto do Hubble?
Cada cor representa um gás. O oxigênio é azul, o enxofre é laranja, e o hidrogênio e o nitrogênio são verdes.
Os Pilares da Criação estão sendo destruídos?
A radiação das estrelas vizinhas esquenta e evapora o gás das colunas, e a NASA mostra filetes de gás saindo delas. Há ainda a hipótese de uma supernova ter derrubado os pilares há uns 6 mil anos, que a NASA e a ESA apresentam como possível, mas não confirmada.
O que é um ano-luz?
É a distância que a luz percorre em um ano, algo perto de 9,5 trilhões de quilômetros, e os pilares ficam a cerca de 6.500 vezes isso.
Leia também: Telescópio Hubble: o que é, o que registra e se ainda funciona e Telescópio James Webb: o que é, onde fica e como funciona.
Fontes: Pillars in the Eagle Nebula from Hubble (2014), NASA Scientific Visualization Studio; Famous Space Pillars Feel the Heat of Star’s Explosion, NASA/JPL; Pillars of Creation (NIRCam Image), STScI; Hubble Goes High Def to Revisit the Iconic Pillars of Creation, Smithsonian; Hubble facts, NASA.
Imagem de destaque: NASA, ESA e Hubble Heritage Team (STScI/AURA), domínio público, via Wikimedia Commons.