Aumento de Pedidos e a Atuação de Escritórios Especializados
O número de recuperações judiciais (RJs) no agronegócio deve se manter elevado até 2026. Esse cenário é impulsionado tanto pela pressão crescente de credores quanto pela atuação de escritórios de advocacia que têm “vendido” a RJ como uma solução para o endividamento rural. Bancos, indústrias e o mercado de capitais intensificam a cobrança de dívidas, levando mais produtores a buscar esse caminho.
Arrependimento e a Perda de Acesso ao Crédito
No entanto, um movimento de frustração já começa a surgir entre produtores rurais que recorreram à recuperação judicial há uma ou duas safras. A expectativa de se livrar de grande parte da dívida esbarra na realidade da perda de acesso ao crédito, fundamental para o plantio. David Telio, especialista na área, observa que muitos produtores se arrependem, percebendo a “vida curta” da RJ, que, apesar de reduzir dívidas e preservar patrimônio, impede a continuidade das operações agrícolas.
Desmobilização de Ativos como Alternativa
Octaciano Neto, fundador da Zera.ag, explica que o momento atual do agronegócio não é de crise estrutural, mas sim de margens mais apertadas, especialmente para soja e milho. Ele aponta que decisões equivocadas de expansão em períodos de juros baixos e preços altos, somadas ao aumento da taxa de juros, levaram produtores alavancados à perda de liquidez. Neto sugere que a desmobilização de ativos é a melhor saída para o produtor endividado, alertando que a RJ, embora fácil no curto prazo, é um “péssimo negócio a longo prazo” e deixa uma marca permanente.
O Uso Inadequado da Recuperação Judicial
Neto destaca que o instrumento da RJ no agro, que ganhou força a partir de 2021, tem sido utilizado de duas formas: por produtores em genuína dificuldade financeira e por outros que o fizeram de forma inadequada, muitas vezes incentivados por terceiros. Ele enfatiza que a RJ não “resolve a vida” e que o pico de pedidos, que ele espera que ocorra em 2025, deve começar a perder força a partir de 2027. Apesar do aumento recente, o número de RJs ainda é estatisticamente pouco relevante diante do universo de produtores rurais no Brasil.