Raízen (RAIZ4) Sofre Rebaixamento da S&P para ‘BBB-‘; Alavancagem e Perspectiva Negativa Preocupam Investidores
Agência de risco aponta dificuldades da companhia em reduzir dívidas e queima de caixa, enquanto ações negociadas abaixo de R$ 1 levam B3 a pedir plano de regularização.
S&P Global Sinaliza Pressão na Alavancagem da Raízen
A agência de classificação de risco S&P Global tomou a decisão de rebaixar a nota de crédito da Raízen (RAIZ4) de ‘BBB’ para ‘BBB-‘. A principal justificativa para essa medida é o atraso nas expectativas de desalavancagem da empresa. A perspectiva para a distribuidora de combustíveis e processadora de cana-de-açúcar foi mantida como negativa, indicando preocupações contínuas.
De acordo com os analistas da S&P, a Raízen enfrenta desafios significativos para diminuir seu nível de endividamento, que se encontra considerável, aliado a um cenário de queima de caixa. A relação dívida líquida/Ebitda, um indicador chave de alavancagem, atingiu 5,2 vezes nos doze meses encerrados em setembro de 2025. A agência projeta que este índice permaneça entre 4,5 e 5 vezes até o final dos anos fiscais de 2026 e 2027, a menos que ocorram entradas de caixa não recorrentes expressivas.
Atraso em Transações e Incertezas Afetam Confiança da S&P
A S&P Global destacou em seu comunicado que, apesar das declarações públicas da administração e acionistas sobre a intenção de reduzir a dívida através da venda de ativos e capitalização, o atraso na conclusão de transações de maior porte mantém a alavancagem sob pressão por um período mais longo do que o inicialmente previsto. Adicionalmente, a agência ressalta a falta de clareza sobre o cronograma, os valores e o impacto dessas transações no Ebitda e no fluxo de caixa da Raízen.
A perspectiva negativa atribuída à empresa pela S&P implica na possibilidade de um novo rebaixamento nos próximos seis meses. Isso ocorrerá caso haja um atraso adicional na injeção de capital e em outras vendas de ativos, impedindo a Raízen de reduzir sua alavancagem para perto de 3 vezes no ano fiscal de 2027 e abaixo desse patamar nos anos subsequentes.
Raízen Sob Foco da B3 por Ações de ‘Penny Stock’
Em paralelo às preocupações da agência de risco, a Raízen também está sendo monitorada pela B3. A companhia foi notificada pela administradora da bolsa brasileira para apresentar os procedimentos e o cronograma das medidas que serão adotadas para reenquadrar o preço de suas ações ao valor mínimo exigido. A regularização deve ocorrer até 29 de maio de 2026.
As ações da Raízen (RAIZ4) têm sido negociadas abaixo de R$ 1 desde 6 de outubro, caracterizando-as como ‘penny stocks’. As regras da B3 definem uma ação como ‘penny stock’ quando ela permanece abaixo de R$ 1 por, no mínimo, 30 pregões consecutivos. Essa situação pode acarretar sanções por parte da B3, como a exclusão da empresa de índices importantes, incluindo o Ibovespa.
Medidas para Regularização e Alternativas em Análise
Em resposta à notificação da B3, a Raízen informou que está avaliando as alternativas e adotará as medidas necessárias para promover o reenquadramento dentro do prazo estipulado, considerando a evolução da execução de seu plano de negócios. Uma das opções que empresas nessa situação podem considerar para evitar sanções é o grupamento de ações. Essa operação visa reunir um conjunto de ações para aumentar o preço unitário e, assim, tirá-las da faixa de centavos.