Raízen (RAIZ4): BofA eleva Ebitda em 16,6%, mas alerta sobre dívida

Raízen (RAIZ4): Projeções de Ebitda Melhoram, Mas Desafios Persistem
O Bank of America (BofA) elevou sua projeção de Ebitda da Raízen (RAIZ4) em 16,6% para o ano-safra 2026/27, alcançando R$ 13,2 bilhões. Essa revisão positiva é atribuída a margens mais robustas no negócio de distribuição de combustíveis. No entanto, apesar da melhora nas estimativas, o banco mantém uma visão cautelosa sobre a companhia, reiterando a recomendação underperform (desempenho abaixo da média do mercado) com preço-alvo de R$ 0,19 por ação. A principal preocupação reside na desalavancagem da divisão de Açúcar & Etanol, que, segundo o BofA, está “longe de terminar”, em um cenário de geração limitada de caixa e preços pressionados.
Combustíveis Impulsionam Revisão Positiva, Mas Margens Podem Normalizar
A principal força por trás da revisão das projeções do BofA vem da Raízen Combustíveis. O banco aumentou em R$ 2 bilhões sua estimativa de Ebitda para a divisão, projetando R$ 9,4 bilhões para o ano-safra 2026/27. Os analistas Isabella Simonato e Julia Zaniolo destacaram os resultados sólidos no primeiro trimestre da safra, impulsionados pela conversão de 51 novos postos à bandeira da companhia, ganhos de participação de mercado e uma margem Ebitda ajustada recorde de R$ 493 por metro cúbico. Embora as margens tenham mostrado sinais de arrefecimento em junho, acompanhando a queda nos preços do petróleo, a expectativa é de que a rentabilidade permaneça acima dos níveis considerados normalizados nos nove meses restantes do ano-safra. O BofA prevê uma margem média de R$ 260 por metro cúbico nesse período, sustentada por elevados crack spreads e pelo prêmio dos combustíveis importados. A escala e a capacidade de sourcing da Raízen são vistas como vantagens competitivas para capturar esse cenário favorável. Para o futuro, o banco acredita que as margens podem se estabilizar em um novo patamar de R$ 200 por metro cúbico a partir da safra 2027/28, um avanço significativo em relação aos níveis pré-guerra de R$ 100 a R$ 150.
Desafios no Açúcar e Etanol e a Necessidade de Desalavancagem
Enquanto o setor de combustíveis apresenta perspectivas animadoras, a divisão de Açúcar & Etanol continua a ser um ponto de atenção. O BofA reduziu suas premissas de preços para o etanol em 2026/27 e 2027/28. As condições climáticas adversas também têm impactado negativamente a produtividade dos canaviais, limitando a diluição de custos. A análise incorporou a venda da usina de Caarapó para a Adecoagro, parte da estratégia de simplificação do portfólio da Raízen. Apesar dos esforços para reduzir a estrutura da companhia, a geração de fluxo de caixa permanece limitada, o que, segundo os analistas, sugere a necessidade de novas vendas de ativos para efetivamente reduzir o endividamento. A dívida líquida da Raízen encerrou junho em R$ 56,87 bilhões. A empresa tem acelerado essa estratégia, anunciando também a venda de suas operações de distribuição de combustíveis na Argentina por US$ 1,42 bilhão.
O Plano de Desalavancagem e o Preço-Alvo do BofA
O preço-alvo de R$ 0,19 estabelecido pelo BofA considera diversos fatores, incluindo a conversão de parte da dívida da Raízen em ações a R$ 0,25 por papel e a potencial separação da companhia em duas entidades distintas: Raízen Energia e Raízen Combustíveis. Essa reestruturação visa otimizar a gestão e a alocação de capital em cada segmento. A estratégia de desalavancagem da Raízen tem sido um foco central para o mercado, especialmente após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre da safra 2026/27, onde a companhia reduziu seu prejuízo líquido em 11% para R$ 1,64 bilhão, enquanto o Ebitda ajustado mais que dobrou. No entanto, a magnitude da dívida ainda exige um plano robusto e contínuo de desinvestimentos e melhoria operacional para que a empresa atinja um nível de alavancagem considerado saudável pelos investidores e analistas. A capacidade da Raízen de gerenciar seus custos, otimizar a produção de cana-de-açúcar e etanol, e capitalizar sobre as oportunidades no mercado de combustíveis será crucial para determinar o sucesso de sua estratégia de recuperação e geração de valor para os acionistas.
- Raízen (RAIZ4) busca reduzir seu endividamento através da venda de ativos.
- A divisão de combustíveis apresenta margens recordes, impulsionando projeções de Ebitda.
- O segmento de Açúcar & Etanol enfrenta desafios climáticos e de precificação.
- O Bank of America mantém recomendação underperform, mas eleva preço-alvo futuro.
- A necessidade de desalavancagem é um fator chave para a percepção do mercado sobre a empresa.
A complexidade da estrutura de capital e as dinâmicas de mercado para os produtos da Raízen continuam a ser monitoradas de perto pelo mercado. A companhia, um dos maiores players do setor de energia e bioenergia no Brasil, enfrenta o desafio de equilibrar investimentos em crescimento com a gestão prudente de suas obrigações financeiras, especialmente em um ambiente macroeconômico ainda volátil.