Guerra no Oriente Médio: Após alta do petróleo, commodities agrícolas podem ser o próximo alvo; veja como investir

Ameaça inflacionária e de escassez no horizonte

A escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que já impulsionou as cotações do petróleo, agora lança uma sombra sobre o setor de commodities agrícolas. O risco de interrupções nas cadeias logísticas globais e o consequente encarecimento de insumos essenciais para a produção de alimentos posicionam o agronegócio como a nova fronteira de um potencial rali de preços, com implicações diretas para a economia mundial e oportunidades para investidores.

Fertilizantes em alta: um elo crítico para o preço dos alimentos

Um dos efeitos mais imediatos do conflito é o impacto sobre o mercado de fertilizantes. A Rússia, um dos maiores exportadores globais, anunciou a suspensão temporária de suas exportações para priorizar o abastecimento interno. Essa medida se soma a alterações nas rotas marítimas e a dificuldades de escoamento em pontos estratégicos como o Estreito de Ormuz. No Brasil, onde cerca de 40% dos fertilizantes utilizados no agronegócio passam pela região afetada, o efeito tende a ser direto. A ureia, por exemplo, já registra alta de aproximadamente 50% desde o início da guerra, impulsionada também pelo encarecimento do gás natural, matéria-prima fundamental para sua produção. Essa elevação nos custos de fertilizantes inevitavelmente se refletirá no preço dos alimentos, gerando preocupações inflacionárias generalizadas no Ocidente e pressionando governos, especialmente em anos eleitorais.

Um novo ciclo de alta para commodities?

Matheus Spiess, analista da Empiricus Research, avalia que o cenário atual pode marcar o início de um novo ciclo de alta para as commodities, impulsionado por fatores estruturais que vão além do conflito pontual. Tradicionalmente, o dólar e as commodities possuem uma relação inversa: um dólar mais forte tende a pressionar os preços das matérias-primas. No entanto, Spiess vislumbra um enfraquecimento estrutural do dólar, o que abriria espaço para uma valorização mais consistente das commodities. Essa perspectiva é sustentada por uma combinação de fatores macroeconômicos, como o aumento da dívida dos Estados Unidos, o risco fiscal elevado e um movimento global de diversificação cambial. Além disso, o analista considera que o dólar pode ter se tornado excessivamente valorizado desde 2008, enquanto as commodities ficaram relativamente subvalorizadas, indicando um potencial movimento de busca por maior exposição a esses ativos.

O que o investidor deve fazer?

Diante desse cenário complexo e volátil, Spiess recomenda uma estratégia focada em empresas que geram caixa, em vez de uma exposição direta e volátil às commodities. A preferência recai sobre ações de empresas do setor, que podem capturar os ganhos do ciclo de alta com maior previsibilidade. O Brasil, com sua forte vocação exportadora de commodities, especialmente em petróleo e gás, surge como um país bem posicionado para se beneficiar dessa tese. Para o investidor que busca uma forma simples e diversificada de acessar esse mercado, o analista sugere o ETF CMDB11. Este fundo permite exposição a empresas brasileiras de commodities, com cerca de 40% de sua carteira alocada em petróleo e gás, oferecendo diversificação, baixo custo e boa liquidez.

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