Coamo Alerta: Vendas de Soja Lentas e Preocupação Logística com Safra Recorde em 2026

Comercialização Abaixo do Ideal

A Coamo Agroindustrial Cooperativa, maior cooperativa agrícola do Brasil, observa uma comercialização antecipada da safra de soja 2025/26 em um ritmo mais lento do que em anos anteriores. Segundo Airton Galinari, presidente-executivo da Coamo, apenas cerca de 16% da soja que a cooperativa espera receber já foi negociada antecipadamente. Este percentual está abaixo do registrado em anos anteriores, quando a comercialização podia ultrapassar 30% nesta mesma época. A expectativa é de uma safra recorde em 2026, o que agrava a preocupação com a logística.

Preços Baixos e Expectativa de Alta Motivando Retenção

A pressão sobre os preços da soja, influenciada pelas expectativas de uma safra recorde, tem desestimulado os cooperados a venderem seus grãos antecipadamente. Galinari explica que muitos produtores estão segurando suas vendas na esperança de uma recuperação nos preços, apesar do volume expressivo esperado. Essa estratégia pode levar alguns a perderem a oportunidade de obter rendimentos com os juros elevados em aplicações financeiras, enquanto outros adiam a venda para o pagamento de contas, que se concentram entre abril e maio.

Safra Recorde e Desafios Logísticos

Para 2026, a Coamo projeta receber 6,3 milhões de toneladas de soja, um aumento superior a 1 milhão de toneladas em relação a 2025, apesar de problemas climáticos em Mato Grosso do Sul terem afetado a safra anterior. O volume total de recebimentos, incluindo milho e trigo, pode ultrapassar 10 milhões de toneladas. A expectativa de uma safra tão volumosa, combinada com a velocidade de comercialização mais lenta, intensifica a preocupação com a capacidade logística para o escoamento da produção. Galinari aponta que um eventual movimento simultâneo de todos os produtores vendendo no futuro pode gerar gargalos significativos.

Investimentos e Perspectivas Futuras

Apesar dos desafios logísticos e de mercado, a Coamo planeja investimentos que superarão R$ 1 bilhão em 2026. Esse montante inclui a aquisição de quatro instalações agrícolas do fundo Patria por R$ 136 milhões. Os investimentos em 2025 foram mais elevados, totalizando R$ 1,9 bilhão, e incluíram a construção de uma indústria de biodiesel em Paranaguá (PR) e aportes em uma planta de etanol de milho. Esses investimentos visam a expansão da cooperativa e a modernização de sua infraestrutura, preparando-a para os desafios e oportunidades futuras do agronegócio.

Similar Posts

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *