Café Arábica em Queda Livre: Contratos Futuros Atingem Mínima de Ano e Meio na ICE com Previsão de Safra Recorde no Brasil; Açúcar Sobe
Café Arábica em Queda Livre: Contratos Futuros Atingem Mínima de Ano e Meio na ICE com Previsão de Safra Recorde no Brasil; Açúcar Sobe
Enquanto o arábica sente o peso da perspectiva de excesso de oferta global, o açúcar bruto busca valorização impulsionado pela demanda física e sinais de restrição na produção brasileira.
Arábica Atinge Mínimas Históricas com Olhar Focado no Brasil
Os contratos futuros do café arábica negociados na bolsa ICE registraram nesta quinta-feira o menor patamar em um ano e meio, com perdas semanais superiores a 5%. A principal preocupação dos investidores reside na expectativa de uma safra robusta no Brasil, o maior produtor mundial da commodity. Apesar de estoques de curto prazo serem limitados em países consumidores e na própria bolsa, a projeção de uma produção recorde para a safra 2026/27, estimada em 71,9 milhões de sacas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) – um aumento considerável em relação aos 63 milhões da safra anterior –, pressiona os preços.
Superávit Global e Exportações Brasileiras em Perspectiva
Analistas do Rabobank preveem um superávit global de café de 9,5 milhões de sacas na safra 2026/27, contrastando com um superávit mais modesto de 1,2 milhão de sacas em 2025/26. Essa perspectiva de oferta abundante contribui para a queda nos preços do arábica. No entanto, dados recentes do governo brasileiro indicam uma queda de 8,6% nas exportações de café em maio, totalizando 2,59 milhões de sacas, o que pode oferecer algum suporte pontual ao mercado.
Robusta e Cacau: Movimentações Distintas no Mercado de Commodities
O café robusta apresentou uma queda mais branda, recuando 0,6% para US$ 3.352 por tonelada. Produtores no Vietnã, o maior exportador de robusta, demonstram relutância em vender a preços baixos, exceto em casos de necessidade financeira urgente. No mercado de cacau, Londres viu uma queda de 2,2% para £ 3.015 por tonelada, mas o contrato caminha para a segunda semana consecutiva de ganhos. Nova York também registrou queda de 2,6%, fechando a US$ 3.965 por tonelada. O mercado de cacau está atento aos desdobramentos do fenômeno climático El Niño e a possíveis realizações de lucro.
Açúcar Bruto em Alta com Sinais de Demanda e Produção Restrita
Em contrapartida, o açúcar bruto registrou um leve avanço de 0,2%, alcançando 14,27 centavos de dólar por libra-peso. Apesar da queda de 11,6% nas exportações brasileiras em maio em comparação com o ano anterior, um aumento na fila de navios aguardando para exportar para a China em junho sugere uma demanda física crescente. Adicionalmente, uma pesquisa da S&P Global Energy aponta para uma retração de 14% na produção de açúcar na região centro-sul do Brasil na primeira quinzena de maio. O açúcar branco também acompanhou a tendência de alta, subindo 1% para US$ 449,20 a tonelada.