Ruralistas Ausentes em Massa na Votação da Jornada de Trabalho
A aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece o fim da escala 6×1 e a redução gradual da jornada de trabalho para 40 horas semanais na Câmara dos Deputados foi marcada por um número significativo de ausências entre os parlamentares da bancada ruralista. Dos 18 deputados que não votaram no primeiro turno da PEC, 17 pertencem à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). No segundo turno, a situação se repetiu, com 24 dos 33 deputados ausentes sendo membros da FPA.
Liderança da FPA Evita Posição Clara
Entre os que não marcaram presença nas votações cruciais para o futuro das relações de trabalho no Brasil, destacam-se figuras importantes como o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), e o vice-presidente Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), além do ex-presidente da FPA, Sergio Souza (MDB-PR). A ausência desses parlamentares em votações consideradas de grande relevância para o Congresso Nacional gerou discussões.
FPA Justifica Ausências e Critica Impacto da PEC no Agronegócio
A assessoria da FPA declarou que a escala 6×1 não é uma pauta temática específica da bancada e que o alinhamento na Câmara é feito pelos partidos. No entanto, o presidente da FPA, Pedro Lupion, justificou sua ausência em um dos turnos alegando estar em voo para um evento e sem acesso à internet. Ele reforçou a posição do setor, expressando preocupação com o aumento de custos e as dificuldades para preencher vagas no agronegócio, especialmente em culturas com alta demanda por mão de obra. Lupion citou exemplos como usinas de cana-de-açúcar, que, segundo ele, precisariam contratar cerca de 400 funcionários adicionais por usina, e frigoríficos, que já enfrentam um déficit de 40 mil vagas e teriam que implementar um turno extra.
PEC Segue para o Senado Após Aprovação Significativa
Apesar das ausências e das críticas do setor agroindustrial, a PEC foi aprovada com ampla maioria em ambos os turnos. No segundo turno, obteve 461 votos a favor e 19 contrários, após 472 votos favoráveis e 22 contrários no primeiro turno. O texto agora avança para análise e votação no Senado Federal, onde o debate sobre o impacto da redução da jornada de trabalho no mercado de trabalho brasileiro, especialmente no setor agropecuário, deve continuar.