Oferta Abundante e Petróleo em Baixa Pressionam o Açúcar
Os contratos futuros do açúcar bruto na bolsa de Nova York alcançaram seu menor valor em cinco anos, marcando a terceira semana consecutiva de desvalorização. A combinação de uma oferta robusta no mercado de curto prazo e a acentuada queda nos preços do petróleo são os principais fatores por trás dessa retração. A diminuição do valor do petróleo desincentiva as usinas a priorizarem a produção de etanol, um biocombustível derivado da cana, levando-as a direcionar mais matéria-prima para a produção de açúcar.
Preços e Projeções para o Açúcar
Na sexta-feira (17), o açúcar bruto fechou em queda de 2,6%, cotado a 13,31 centavos de dólar por libra-peso, após ter tocado uma mínima de 13,22 centavos. Na semana, a perda acumulada foi de 3,2%. O açúcar branco também sentiu o impacto, caindo 1,4% e fechando a US$ 412,30 por tonelada métrica. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou em 1% sua previsão para a safra de cana-de-açúcar 2025/26, projetando agora 673 milhões de toneladas, reforçando a visão de ampla disponibilidade no mercado.
Cacau e Café Também em Queda
O cenário de baixa não se restringe ao açúcar. O cacau em Londres registrou uma queda de 4,1%, a 2.427 libras por tonelada, com pouca variação ao longo da semana. Dados de moagem de cacau no primeiro trimestre, que servem como indicativo de demanda, vieram abaixo do esperado na Europa e América do Norte, apesar de um desempenho forte na Ásia. No Brasil, a moagem de cacau recuou 0,8% no trimestre. O cacau em Nova York também caiu 5,1%, negociado a US$ 3.280 a tonelada. O café robusta, apesar de se manter acima de sua mínima de oito meses, caiu 2,5%, a US$ 3.263 a tonelada, enquanto o café arábica perdeu 2,1%, fechando a US$ 2,8425 por libra-peso, com uma desvalorização semanal de 3,9%.
Pressão Adicional de Oferta e Demanda
A corretora StoneX aponta que os dados recentes reforçam a percepção de alta oferta, sinalizando uma forte pressão de preços nos próximos meses. Além disso, a demanda por açúcar tem sido enfraquecida por uma “mudança significativa nos padrões globais de consumo de alimentos”, segundo a corretora, adicionando mais um fator de pressão sobre as cotações do adoçante.