Programa espacial brasileiro: AEB, Alcântara e os satélites do país
Atualizado em 1º de novembro de 2026.
A Agência Espacial Brasileira (AEB) coordena o programa espacial brasileiro. É uma autarquia federal criada em 10 de fevereiro de 1994 e vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) conduz o desenvolvimento dos satélites. Os dois centros de lançamento do país, um em Alcântara (MA) e outro em Parnamirim (RN), atuam no interesse do Comando da Aeronáutica. O marco mais recente veio em 22 de dezembro de 2025, quando o foguete sul-coreano HANBIT-Nano decolou de Alcântara. Ele falhou cerca de 30 segundos depois.
Este texto reúne o que as fontes oficiais registram até 1º de novembro de 2026. Cada número tem a fonte no fim da página. Onde as fontes divergem, o texto avisa.
Quem faz o quê
A AEB nasceu da Lei 8.854, de 1994. O INPE trabalha em São José dos Campos (SP) e coordenou o projeto do primeiro satélite de observação da Terra feito inteiramente no país, o Amazonia-1, lançado em 2021. Os centros de lançamento atuam no interesse da Aeronáutica.
O Centro de Lançamento da Barreira do Inferno, em Parnamirim, foi criado pela Portaria S-139/GM3, de 12 de outubro de 1965. Ele lança foguetes de sondagem. Esses foguetes sobem a grande altitude e servem a experimentos em microgravidade. O centro também rastreia lançadores europeus, como o Ariane 5, o Soyuz e o Vega, por uma parceria com o centro espacial da Guiana Francesa.

A tabela resume as datas.
| Data | Marco |
|---|---|
| 12 de outubro de 1965 | Criação do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (RN) |
| Início dos anos 1980 | Concepção do Centro de Lançamento de Alcântara (MA) |
| 10 de fevereiro de 1994 | Criação da Agência Espacial Brasileira |
| 22 de agosto de 2003 | Acidente na plataforma do VLS-1, em Alcântara, com 21 mortes |
| 30 de março de 2006 | Marcos Pontes decola na Soyuz TMA-8 (data da NASA) |
| 16 de dezembro de 2019 | Acordo de Salvaguardas Tecnológicas com os EUA entra em vigor para o Brasil |
| 28 de fevereiro de 2021 | Lançamento do Amazonia-1, na Índia |
| 22 de dezembro de 2025 | Falha do HANBIT-Nano, primeiro lançamento orbital comercial feito do país |
Alcântara, a base perto do Equador
O Centro de Lançamento de Alcântara fica no Maranhão. Segundo a AEB, está a 2°18′ ao sul da linha do Equador. A agência o descreve como concebido no início da década de 1980, dentro da Missão Espacial Completa Brasileira. Segundo a AEB, ele atende lançamentos de sondagem e científicos, além de lançadores orbitais.
A posição tem uma razão de física. A Terra gira mais rápido perto do Equador, e o foguete aproveita essa velocidade extra na partida, o que diminui a quantidade de propelente que ele precisa queimar para subir. A AEB define a localização como estratégica e privilegiada.
Para atrair clientes estrangeiros, o Brasil assinou com os Estados Unidos, em Washington, em 18 de março de 2019, o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas. O texto entrou em vigor para o Brasil em 16 de dezembro de 2019, e o Decreto 10.220, de 5 de fevereiro de 2020, o promulgou. Pelo artigo I, o objetivo é evitar o acesso ou a transferência não autorizados de tecnologias relacionadas com o lançamento a partir do Centro Espacial de Alcântara.
O acidente de 2003
Em 22 de agosto de 2003, um acidente na plataforma de lançamento do VLS-1 (Veículo Lançador de Satélites), em Alcântara, matou 21 técnicos e engenheiros. Foi o pior da história do centro. A equipe se preparava para a Operação São Luís, que levaria ao espaço os satélites SATEC e UNOSAT. A AEB trata o episódio como o maior acidente já ocorrido no centro. Em 2013, um monumento em homenagem às vítimas foi erguido no Memorial Aeroespacial Brasileiro, em São José dos Campos.
Marcos Pontes, o brasileiro que foi ao espaço
Marcos Pontes decolou em 30 de março de 2006 a bordo da nave russa Soyuz TMA-8, segundo a NASA, com o cosmonauta Pavel Vinogradov e o astronauta americano Jeffrey Williams. A AEB cita 29 de março. As duas fontes divergem em um dia. Ele passou cerca de oito dias na Estação Espacial Internacional. Voltou à Terra em 9 de abril.
A missão se chamou Centenário, em referência aos cem anos do voo do 14-Bis de Santos Dumont, em 1906. Pontes executou oito experimentos. Em 2019, o governo federal o descrevia como o único brasileiro a ter voado ao espaço. Naquele ano ele assumiu o ministério responsável pela ciência e tecnologia.
Amazonia-1 e os satélites do país
O Amazonia-1 foi lançado em 28 de fevereiro de 2021 pelo foguete indiano PSLV, a partir do centro de Sriharikota, na Índia. A AEB o apresenta como o primeiro satélite de observação da Terra projetado integralmente no Brasil. O INPE usa as imagens para acompanhar o desmatamento e também a agricultura, os reservatórios de água e os desastres ambientais.
A câmera WFI cobre mais de 2 milhões de km² em 7 minutos. A vida útil prevista era de quatro anos, atingida em 2025, e o satélite continua operando. Ele completou mais de 26 mil órbitas em cinco anos. Ele validou em voo a Plataforma Multimissão, que o INPE desenvolveu para satélites de até 7.500 kg. O Amazonia-1B, em integração no INPE, será a segunda missão com essa plataforma e tem lançamento previsto para 2027, de Kourou, na Guiana Francesa, pelo foguete Vega-C.
O Brasil mantém ainda a parceria com a China no programa CBERS. O Decreto 12.496, de 2025, promulgou o protocolo complementar sobre o desenvolvimento conjunto do CBERS-6. O CBERS-5 foi anunciado em julho de 2025, durante a Cúpula do Brics, no Rio de Janeiro.
O primeiro lançamento comercial: HANBIT-Nano
O HANBIT-Nano é um foguete da empresa sul-coreana Innospace. A Força Aérea e a AEB conduziram a Operação Spaceward, que previa o primeiro lançamento orbital comercial feito do território brasileiro. A decolagem estava marcada para as 22h de 22 de dezembro de 2025, no horário de Brasília. Após cerca de 30 segundos de voo, a nota oficial registrou uma anomalia no veículo. O foguete não chegou à órbita. A missão foi perdida.
A investigação conjunta do CENIPA, órgão da Força Aérea, com a Innospace apontou a causa. Aos 33 segundos, houve vazamento de gases de combustão na seção frontal da câmara de combustão do primeiro estágio. A câmara se rompeu. O foguete se separou em partes. Os investigadores ligaram o vazamento à compressão insuficiente e à vedação inadequada dos componentes. A origem estava em deformações na remontagem, depois da troca do plugue frontal da câmara, na preparação feita no Brasil. O CENIPA classificou o caso como incidente, e não como acidente.
A Innospace listou como medidas corretivas a atualização de componentes e melhorias nos processos de montagem. Também citou o aperfeiçoamento da gestão da qualidade, testes de queima em solo e a análise do pedido de licença na agência espacial coreana.
Em 29 de julho de 2026, o MCTI informou que o voo de teste do foguete suborbital Sebit estava marcado para 19 de agosto de 2026. O segundo HANBIT-Nano, com o satélite de teste InnoSat-0, permanecia previsto para novembro. A data depende de etapas técnicas, do clima e das exigências de segurança de voo, e a própria nota admite ajustes. Este texto não confirma se esses voos já ocorreram. O estado atual está nos sites da AEB e do ministério.
Perguntas frequentes
Quem coordena o programa espacial do Brasil?
A Agência Espacial Brasileira, criada em 1994 e vinculada ao MCTI.
Onde fica a base de lançamento de foguetes do Brasil?
Em Alcântara, no Maranhão, a 2°18′ ao sul do Equador. Há também o centro da Barreira do Inferno, em Parnamirim (RN), que lança foguetes de sondagem.
O Brasil já mandou um astronauta ao espaço?
Sim. Marcos Pontes voou na Soyuz TMA-8 em 2006 e passou cerca de oito dias na Estação Espacial Internacional. Em 2019, o governo federal o descrevia como o único brasileiro a ter voado ao espaço.
O que foi o acordo de salvaguardas com os Estados Unidos?
Um tratado assinado em 18 de março de 2019 que protege as tecnologias de lançamento usadas em Alcântara. Entrou em vigor para o Brasil em 16 de dezembro de 2019.
Alcântara fica no Equador?
Quase. O centro está a 2°18′ ao sul da linha do Equador, segundo a AEB.
O satélite Amazonia-1 ainda funciona?
Sim. A vida útil prevista era de quatro anos, atingida em 2025, e ele segue operando.
Quando o Brasil lançou o primeiro satélite de observação da Terra feito no país?
Em 28 de fevereiro de 2021, com o Amazonia-1. O lançamento foi na Índia.
O primeiro lançamento comercial de Alcântara deu certo?
Não. O HANBIT-Nano falhou cerca de 30 segundos depois da decolagem, em 22 de dezembro de 2025. A investigação apontou um vazamento de gases de combustão no primeiro estágio.
Leia também: Como foi o início da SpaceX e O verdadeiro propósito da rede de satélites Starlink.
Fontes: Legado e inspiração: 20 anos da tragédia de Alcântara, AEB; Centros de Lançamento, AEB; Retrospectiva 2025, AEB; CENIPA e INNOSPACE identificam causa da interrupção da missão do HANBIT-Nano, AEB; CENIPA e Innospace finalizam relatório da investigação, AEB; Innospace atualiza cronograma de missões, MCTI, 29 de julho de 2026; Amazonia-1 completa 5 anos em órbita, INPE; Decreto 10.220, de 5 de fevereiro de 2020, Planalto; Space Station 20th: space flight participants, NASA; Tem brasileiro no espaço, Agência FAPESP, 2006; MCTIC realiza cerimônia de transmissão de cargo ao astronauta Marcos Pontes, 2019.
Imagem de destaque: Daniel Marques (ASCOM/MCTI), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, CC BY 2.0, via Wikimedia Commons.