Prioridade Absoluta: Reduzir Alavancagem
O CEO da Raízen (RAIZ4), Nelson Gomes, declarou enfaticamente que a redução do endividamento é a principal prioridade da companhia. Em teleconferência de resultados do 3º trimestre da safra 2025/2026 (3T26), Gomes revelou que as controladoras da joint venture, Shell e Cosan, estão comprometidas em injetar capital na empresa. Essa injeção visa mitigar a alta alavancagem, que atingiu 5,3 vezes neste trimestre, um nível considerado crítico.
Ponto de Inflexão e Compromisso dos Controladores
Segundo o CEO, a Raízen atingiu um ponto de inflexão onde a performance operacional isolada não é mais suficiente para equilibrar a estrutura de capital. “Os controladores se comprometeram a contribuir capital dentro de uma solução consensual, estruturante e definitiva”, afirmou Gomes, reforçando o alinhamento estratégico para a recuperação financeira da empresa.
Venda de Ativos e Retorno ao Core Business
No esforço para fortalecer sua posição financeira, a Raízen espera concluir a venda de seus ativos na Argentina até o final do ano fiscal de 2026. Analistas estimam que essa transação possa render cerca de US$ 1,6 bilhão. Paralelamente, a empresa está reorientando seu foco para o seu negócio principal (core business), que inclui a produção de açúcar e etanol, além da distribuição de combustíveis e lubrificantes. A revisão do escopo de operação de trading também está em pauta, com ênfase na melhoria de retorno, redução de risco e volatilidade.
Resultados do 3T26 e Impacto Pontual
Apesar das estratégias de reestruturação, a Raízen registrou um prejuízo líquido expressivo de R$ 15,65 bilhões no 3T26, um aumento considerável em relação aos R$ 2,57 bilhões do mesmo período no ano anterior (3T25). A empresa esclareceu que o resultado do 3T26 foi impactado por um evento pontual, sem efeito caixa, no montante de R$ -11,1 bilhões, relacionado à constituição de provisão para não realização de determinados ativos.