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Brasil e Austrália Buscam Aumento Urgente nas Cotas de Exportação de Carne Bovina para a China

Pressão Diplomática em Pequim

Brasil e Austrália, líderes globais na exportação de carne bovina, intensificam esforços diplomáticos em Pequim para expandir suas cotas de exportação para a China. A urgência surge com a iminência de esgotarem as cotas estabelecidas até 2026, o que forçaria a suspensão dos embarques e impactaria significativamente as receitas de ambos os países.

O Ministro da Agricultura do Brasil, André de Paula, e o Ministro do Comércio da Austrália, Don Farrell, estão em negociações com autoridades chinesas nesta semana. O objetivo é persuadir Pequim a aumentar os limites de importação, conforme relatado por sete fontes com conhecimento das discussões. Uma das propostas em pauta é a realocação de cotas não utilizadas por outras nações exportadoras para o Brasil e a Austrália.

O Sistema de Cotas e o Risco de Tarifas Elevadas

O sistema de cotas chinês, implementado em dezembro do ano passado com o intuito de proteger a produção doméstica, estabelece uma tarifa de 55% para embarques que excederem os limites pré-determinados. Caso o ritmo atual de exportação se mantenha, essa tarifa poderá ser aplicada já no próximo mês, tornando o comércio de carne bovina brasileira e australiana proibitivo para o mercado chinês.

Dados comerciais da China revelam que o país é o maior importador mundial de carne bovina, com aquisições de aproximadamente US$ 3 bilhões do Brasil e cerca de US$ 1 bilhão da Austrália no primeiro trimestre deste ano. A China absorve uma parcela considerável da produção desses países, tornando a manutenção do acesso ao mercado crucial para suas economias.

Propostas Adicionais e Cenário Competitivo

Além da realocação de cotas, a delegação australiana também discute com a China a possibilidade de isentar da cota a carne bovina resfriada e com osso. Essa medida poderia impulsionar o volume total de exportações australianas. No entanto, a resposta oficial do Ministério do Comércio e do Departamento de Alfândega da China ainda não foi divulgada, e a embaixada brasileira em Pequim não comentou o assunto.

A concorrência no mercado chinês é acirrada. Enquanto a carne brasileira compete diretamente com a produção local, os cortes premium australianos, que são menos produzidos na China, enfrentam desafios semelhantes. Analistas apontam que o Brasil poderia perder até US$ 3 bilhões em receita de exportação este ano se as cotas não forem alteradas. A Austrália, por sua vez, teria mais flexibilidade para redirecionar seus fluxos para outros mercados asiáticos e americanos.

Perspectivas Incertas e Impacto no Mercado

Especialistas do setor expressam ceticismo quanto ao sucesso imediato das negociações. Isabel Nepstad, da BellaTerra Consulting, sugere que a China pode, mais uma vez, rejeitar os pedidos de aumento das cotas. A recente reabertura do mercado chinês para produtores norte-americanos, após a visita do ex-presidente Donald Trump, também pode reduzir a probabilidade de expansão das cotas para outros países, segundo Matt Dalgleish, da consultoria Episode 3.

A associação brasileira de carne bovina, Abrafrigo, já alertou sobre as perdas significativas de receita. Apesar disso, a notícia de que a China reabilitou três frigoríficos brasileiros exportadores de carne bovina, conforme divulgado pela Abiec, pode trazer um alívio pontual. O desfecho dessas negociações é aguardado com grande expectativa pelo setor agropecuário global.