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Agronegócio em Crise: Diretor do Santander Alerta que Juros de 15% ou 13% Não Resolvem Dívidas e Custo de Frete Dispara

Cenário Desafiador se Intensifica para Produtores Rurais

A fase de prosperidade do agronegócio, vivenciada no período pós-pandemia, deu lugar a um cenário de dificuldades que se intensificou nos últimos seis meses. Carlos Aguiar, diretor de agronegócio do Santander, avalia que o ambiente atual está ainda mais apertado, especialmente para os produtores de soja e milho. O conflito geopolítico no Oriente Médio agrava a situação, elevando os custos de frete devido ao impacto no preço do petróleo e à dependência brasileira de fertilizantes importados e do transporte interno. Essa conjuntura pressiona ainda mais as margens de lucro, que já estavam limitadas.

Juros Elevados e Lentidão na Queda da Selic Limitam Alívio

A expectativa de alívio com a queda dos juros esbarra na lentidão da redução da taxa Selic. Aguiar estima que, mesmo com cortes de 0,25 ponto percentual, a taxa pode fechar o ano em torno de 13%. Para os produtores endividados, a diferença entre juros de 15% e 13% não representa uma mudança significativa na sua capacidade de pagamento. O diretor do Santander é categórico ao afirmar que as perspectivas para o setor permanecem pouco animadoras no curto e médio prazo, sem sinais claros de redução de custos.

Produtividade em Alta, Mas Gestão Financeira é Crucial

Apesar do cenário adverso, o lado produtivo do agronegócio não apresenta problemas, com safras robustas e segmentos como café e proteína animal em momento mais favorável. No entanto, Aguiar enfatiza a necessidade de maior disciplina na gestão financeira e de risco por parte dos produtores. Ele sugere que, enquanto a parte técnica do plantio e colheita é dominada, a gestão financeira precisa evoluir para evitar problemas recorrentes. A situação é particularmente delicada para os arrendatários, que enfrentam maior dificuldade de acesso a crédito e margens mais apertadas.

Recuperações Judiciais e o Futuro do Setor

O aumento nas recuperações judiciais (RJs) no agronegócio em 2024 levanta questionamentos sobre a eficácia dessa ferramenta. Aguiar aponta que a RJ pode não ser a melhor solução para produtores com garantias reais, como terras, devido ao alto risco de perda de patrimônio. Ele sugere que muitas RJs poderiam ter sido evitadas com negociações diretas com credores, destacando que os bancos estão mais abertos ao diálogo atualmente. A recuperação do setor, segundo o executivo, deve levar de um ano e meio a dois anos, em um cenário ainda volátil. Para produtores muito endividados, a venda de parte do patrimônio pode ser uma alternativa para evitar perdas totais.